sal use com moderação

SAL – USA NA MEDIDA CERTA, VISSE?

Você sabia que o sal é uma substância essencial ao homem e indispensável a todos os tipos de vida animal?

Pois é!

A sua produção e utilização datam do início da civilização, sendo a salga dos alimentos costumeiramente difundida no Egito.

Na Grécia e em Roma, utilizava-se como moeda nas operações de compra e venda.

Uma curiosidade interessante é saber que a palavra latina “salário” deriva do sal, já que em sal pagava-se uma parte do ganho das legiões romanas.

No final do século XIX, o sal, que antes era usado como condimento e produto medicinal, passou a ser uma das matérias-primas essenciais para a indústria química e têxtil.

Por isso, além de ser empregado no preparo de alimentos, o sal hoje é utilizado para outros fins:

  • Produção de cloro;
  • Soda cáustica;
  • Barrilhas;
  • Ácido clorídrico;
  • Vidro;
  • Alumínio;
  • Plásticos;
  • Borracha;
  • Hidrogênio;
  • Celulose.

E outras centenas de produtos das indústrias química e metalúrgica.

Mas vamos falar do que entendemos e do que nos interessa por aqui, ou seja, qual a quantidade de sal que devemos ingerir e por que seu consumo excessivo pode trazer vários prejuízos para o nosso organismo.

SAL E SÓDIO: ENTENDA A DIFERENÇA

Apesar dos termos serem usados indistintamente, sal e sódio não são a mesma coisa.

O sódio (Na), é um elemento que se liga ao cloro (Cl) para formar cloreto de sódio (NaCl), este sim o nosso sal de cozinha.

O sódio apresenta papel importante em diversas funções do organismo, principalmente no equilíbrio entre os fluidos celulares e extracelulares. Além disso, atua também na transmissão de impulsos nervosos em todo corpo, permitindo assim o funcionamento do cérebro e o controle de nossas funções vitais.

Os diferentes tipos de sal

Já o cloro, outro elemento que compõe o sal, também é essencial para uma boa saúde e é fundamental para o processo digestivo.

No estômago, ele é essencial para o suco gástrico, que “quebra” e ajuda a digerir os alimentos.

Ele também aumenta a capacidade do sangue de carregar gás carbônico das células para o pulmão. Juntos, na forma de sal, o sódio e cloreto (cloreto de sódio) estão presentes em todos os tecidos e fluidos do organismo humano, como, por exemplo, o suor e as lágrimas.

Um homem adulto tem cerca de 250 gramas de sal em seu corpo.

EXCESSO DE SAL: O SÓDIO É O INIMIGO

O sódio está presente naturalmente na maioria dos alimentos, mas o seu consumo excessivo ocorre quando ingerimos sal exageradamente, já que este alimento é a fonte mais abundante desse mineral.

Nada de excesso, tudo com moderação.

O sódio, e não o sal em si, o é o elemento diretamente relacionado com a hipertensão (pressão arterial elevada) e outros problemas como derrame cerebral, catarata, problemas renais e até mesmo casos de câncer gástrico (estômago)

Embora a ingestão diária recomendada para uma pessoa saudável seja de 2,4g (o equivalente a uma colher de chá de sal), verifica-se que o brasileiro consome entre 4-6g por dia.

Desse total, adiciona-se cerca de 75% durante o preparo do alimento, com o objetivo de preservá-lo ou para lhe dar sabor. O restante está presente naturalmente no alimento.

HIPERTENSÃO – O PAPEL DO SÓDIO E DO POTÁSSIO

Deixar de colocar aquela pitadinha de sal a mais na comida é melhor para o organismo do que pensava-se anteriormente.

Os estudos mostram que pessoas hipertensas poderiam até parar de tomar remédios se diminuíssem a presença do tempero em suas dietas.

Isso porque o sódio presente no sal influencia o sistema circulatório e afeta a habilidade dos rins de excretarem resíduos e líquidos.

Hipertensão Arterial: causas e fatores de risco • MD.Saúde

Quando o nível de sódio do organismo é baixo, os rins aproveitam as substâncias químicas da urina, devolvendo-as para a circulação.

Alguns, entretanto, possuem a tendência genética a reter mais sódio que necessário.

Dessa forma, o organismo também precisa de mais líquidos para equilibrar a concentração do sódio no sangue. Portanto, os rins retiram menos líquidos do organismo e, consequentemente, há uma diminuição na excreção de urina.

Sendo assim, força-se o coração a bombear com mais força para manter um volume maior de líquido em circulação, aumentando, assim, a pressão arterial.

O QUE OS ESTUDOS MOSTRAM?

Vários estudos comprovam que a restrição do sal é extremamente benéfica para a redução da pressão.

Um deles, publicado no New England Journal of Medicine, foi realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard e do Instituto Nacional do Coração, Sangue e Pulmão, nos Estados Unidos.

Com o objetivo de determinar o que aconteceria com a pressão sanguínea de pessoas que fazem dietas com presença diferenciada de sal.

Então, 412 participantes foram separados, aleatoriamente, em 2 grupos de dieta. A primeira dieta foi tipicamente americana. Em contrapartida, a segunda foi chamada de “Técnicas de Dieta para Parar a Hipertensão” (DASH), era rica em frutas, vegetais e laticínios pouco gordurosos.

As pessoas seguiram então o programa alimentar durante 30 dias, alternando três níveis diferentes de sal:

  • 3,3g/dia (a média americana);
  • 2,4g (o máximo recomendado pela Associação Cardíaca Americana);
  • 1,5g/dia.

Os participantes do segundo grupo apresentaram uma redução quase duas vezes maior da pressão do que aqueles do primeiro grupo e os ganhos foram consideráveis diante de uma redução diária de sal.

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FIQUE LIGADO

Embora o sódio seja o mineral mais diretamente relacionado com a hipertensão, sabe-se hoje que outros minerais podem também interferir nos níveis de pressão.

Há fortes indícios de que os níveis de potássio também sejam importantes.

De acordo com estudos, o potássio protege contra o aumento da pressão e o acidente vascular cerebral.

O que determina o nível de pressão não seria, portanto, a quantidade de sódio isoladamente, mas a relação potássio/sódio, que deveria ser de 1 para 1,5.

No geral, essa relação é de 0,3 para 1. Alimentos ricos em potássio são o brócolis, os legumes, o abacate, assim também a banana e a batata, entre outros.

CATARATA x EXCESSO DE SAL

Um estudo divulgado pela revista American Journal of Epidemiology mostra que, pessoas que consomem dieta rica em sal podem ter mais chances de desenvolver catarata, doença que se não for tratada pode levar à cegueira.

Catarata e uso em excesso de sal

O estudo avaliou a alimentação de 3 adultos entre 49 e 97 anos e chegou à conclusão de que os voluntários que consumiam mais sal tinham risco duas vezes maior de sofrer um tipo específico de catarata.

O estudo também observou que as pessoas que consumiam mais sal tinham risco maior de desenvolver outras doenças, como diabetes e hipertensão.

Atualmente, os dados mostram que, entre adultos com mais de 80 anos, 60% dos homens e 70% das mulheres têm catarata.

FIQUE ATENTO (A) AOS RÓTULOS

Os alimentos industrializados podem ser fontes muito ricas de sódio. Por isso, devemos ficar atentos aos rótulos.

A legislação obriga os fabricantes de alimentos e bebidas a incluir nas tabelas de informação nutricional a quantidade de sódio presente, bem como o valor diário de referência por porção (VD).

A importância da rotulagem de alimentos ser clara e completa.

Isso quer dizer que se no rótulo de uma massa congelada, por exemplo, você observar um VD de 40%, quer dizer que estará ingerindo 40% do sódio necessário para atingir suas necessidades diárias. E isso em apenas uma porção do alimento.

Devemos ficar atentos também aos termos que indicam a presença de ingredientes ricos em sal como salmoura, curado, salgado, assim também picles, consomê e molho de soja.

Picles e outros condimentos como mostarda, catchup, molhos de salada e molhos de churrasco são ricos em sódio.

A seguir, veja alguns exemplos de alimentos industrializados ricos em sódio:

  • Azeitona verde (cerca de 30g) 925 mg;
  • Picles (cerca de 30g) 440 mg;
  • Bolacha de água e sal (cerca de 30g) 475 mg;
  • Bacon (3 fatias, grelhado) 300 mg;
  • Batata frita (cerca de 30g) 135 mg;
  • Salame (cerca de 50g) 575 mg;
  • Presunto magro (cerca de 50g) 700 mg.

DICAS PARA A REDUÇÃO DA INGESTÃO DE SAL

O consumo médio de sódio do brasileiro, como vimos, pode chegar até 6g/dia, sendo que o recomendado para uma pessoa saudável deveria ser não mais que 2,4g.

Do total consumido, ⅔ vem do sal colocado nos alimentos processados, ⅙ é sal de mesa.

Portanto, parece que preparar refeições em casa e evitar alimentos industrializados são atitudes que ajudam a diminuir a ingestão desse mineral em excesso.

Veja a seguir algumas informações que poderão ajudar a reduzir o consumo de sódio:

  • Retire o saleiro da mesa, muitas pessoas têm o reflexo de colocar sal na comida quando avistam o saleiro por perto;
  • A quantidade de sal e outros temperos salgados, na maioria das receitas, pode ser reduzida pela metade (ou até mais) sem uma mudança perceptível no sabor ou na textura;
  • Abuse de ervas e condimentos, alho, cebola, assim também suco de limão. eles podem dar um novo sabor para o alimento;
  • No restaurante, peça para que os molhos sejam servidos à parte, ou, se possível, que alguns pratos sejam preparados sem sal;
  • Não existem estudos que comprovem que o sal marinho seja mais saudável que o sal de cozinha. O conteúdo de sódio de ambos é semelhante.

FIQUE ATENTO AOS RÓTULOS!

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